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NÓ AFETIVO

  • 16/09/2011

"NÓ AFETIVO"

Em uma reunião de pais, numa escola da periferia,
a diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos;
pedia-lhes também que se fizessem presentes
o máximo de tempo possível...
Ela entendia que, embora a maioria dos pais
e mães daquela comunidade trabalhassem fora,
deveriam achar um tempinho
para se dedicar e entender as crianças.
Mas a diretora ficou muito surpresa
quando um pai se levantou e explicou,
com seu jeito humilde,
que ele não tinha tempo de falar com o filho,
nem de vê-lo, durante a semana, porque,
quando ele saía para trabalhar,
era muito cedo, e o filho ainda estava dormindo...
Quando voltava do serviço, já era muito tarde,
e o garoto não estava mais acordado.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar
assim para prover o sustento da família,
mas também contou que isso o deixava angustiado
por não ter tempo para o filho e que tentava se redimir,
indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa.
E, para que o filho soubesse da sua presença,
ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria.
Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo.
Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele,
que o pai tinha estado ali e o havia beijado.
O nó era o meio de comunicação entre eles.
A diretora emocionou-se com aquela singela história
e ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai
era um dos melhores alunos da escola.
O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de as pessoas
se fazerem presentes, de se comunicarem com os outros.
Aquele pai encontrou a sua, que era simples, mas eficiente.
E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afetivo,
o que o pai estava lhe dizendo.
Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas
e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento;
simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam,
para aquele filho, muito mais do que presentes ou desculpas vazias.
É válido que nos preocupemos com as pessoas,
mas é importante que elas saibam, que elas sintam isso.
Para que haja a comunicação é preciso que as pessoas "ouçam"
a linguagem do nosso coração, pois, em matéria de afeto,
os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras.
É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto,
cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o medo do escuro.
As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras,
mas sabem registrar um gesto de amor.
Mesmo que esse gesto seja apenas um nó...
Um nó cheio de afeto e carinho.



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